segunda-feira, 15 de agosto de 2011

ACUSADO DE SER ARMEIRO DE MILÍCIA DÁ DEPOIMENTO CONTRADITÓRIO À CPI

O depoimento prestado pelo ex-assessor parlamentar Evaristo da Silva Alves, nesta segunda (15) à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o tráfico de armas, munições e explosivos no estado foi considerado pouco elucidativo. Preso há 22 dias, em operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), sob acusação de fornecer armas a uma milícia que atuava em Jacarepaguá, Alves se negou a responder algumas perguntas e deu informações conflitantes. Para o presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSol), o acusado perdeu uma oportunidade de contribuir com o trabalho. “Não nos cabe condenar ou absolver ninguém, mas pesam sobre ele acusações fortes de ter atuado como armeiro de milícia que atuava no local onde ele mesmo assumiu ter trabalhado como cabo eleitoral. Ele poderia ter contribuído com o trabalho da CPI”, lamentou o deputado.

Os parlamentares tentaram extrair dele uma explicação sobre sua relação com o delegado aposentado da Polícia Federal Luiz Carlos da Silva, apontado como um dos chefes da quadrilha. Apesar de defini-lo como um “amigo há 25 anos”, Alves garantiu só ter ido à sua casa duas vezes. O sítio, localizado na Rua Vale da Pedra Branca, na Taquara, em Jacarepaguá, é dado como ponto de encontro do grupo. O acusado também desconversou quando perguntado sobre ter conhecido o delegado quando trabalhou como motorista da Receita Federal no aeroporto do Galeão, local onde ambos trabalharam. “Não me lembro dele trabalhando lá, acho que ele trabalhou lá depois”, disse ele, informando que conheceu o amigo, também preso, “na Portela”. Em seu depoimento, Alves creditou a sua prisão e a dos demais acusados a um morador do local que queria prejudicar os “homens de bem” envolvidos.

Segundo o inquérito, o grupo é acusado de homicídios qualificados, estupro, agiotagem, tráfico de influência e crime ambiental, entre outros crimes. A milícia também é acusada de explorar caça-níqueis e de cobrar pela distribuição de água encanada nas localidades de Pedra Branca, Santa Maria, Pau da Fome, Estrada dos Teixeiras, Estrada do Rio Pequeno e Estrada do Rio Grande, onde atuava desde 1998. No total, 14 pessoas foram presas.

Funcionário da Alerj em dois momentos (nos anos 90 em um gabinete parlamentar e na estrutura da Casa no início dos anos 2000), Alves não falou como foi contratado. Após muita insistência dos deputados, disse ter sido apresentado ao ex-deputado Cosme Salles, seu primeiro empregador no Parlamento, pelo também ex-deputado Ary Brum – assassinado em 2007. Ele não falou quem o trouxe de volta anos depois, quando trabalhou em setor administrativo da Alerj.

A CPI aprovou realização de reunião com a Policia Federal, Exército e Polícia Civil nas próximas semanas. O encontro buscará concluir o trabalho de investigação, que têm previsão de encerramento na segunda semana de setembro.

Comunicação Social da Alerj
Edição: Camilo Borges

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